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Entrevista com autor

Entrevista com Luiz Fernando Martha



Nessa entrevista, o professor Luiz Fernando Martha, do Departamento de Engenharia Civil da PUC-Rio, apresenta seu livro Análise matricial de estruturas com orientação a objetos.

A obra discute a análise de estruturas reticuladas, ou seja, formadas por barras. Entre elas, incluem-se treliças, pórticos e grelhas. A novidade na obra é unir teoria com implementação computacional por meio do programa MATLAB.

» O que é exatamente o campo de análise matricial de estruturas? Qual lugar ele ocupa no ensino de engenharia?

Luiz: Análise de estruturas é uma disciplina de nível intermediário no curso de engenharia civil ou no programa de projeto estrutural. Através dela, ensinamos toda a parte de estruturas, que engloba geotecnia, hidráulica…  É uma área intermediária porque, junto às disciplinas de mecânica geral e mecânica dos sólidos, ela forma um grupo de disciplinas genéricas e que são as primeiras a permitir a realização do projeto de estruturas.

As outras disciplinas — análise de estruturas I, análise de estruturas II e mecânica geral, por exemplo — lidam muito mais com o dimensionamento da estrutura. No entanto, essa fase inicial chamada “análise de estruturas”, que tem por objetivo a previsão de seu comportamento, é necessária, e inclusive, expressa através de resultados com gráficos e diagramas.

» Da onde surgiu a necessidade de formular o livro?

Luiz: Esse livro é uma ideia antiga. Existem vários títulos sobre análise matricial de estrutura, mesmo fora do Brasil, existem alguns que já têm o software que o acompanham. Eu tive a ideia de fazer isso aqui no país, porque, assim como o “Análise de estruturas: conceitos e métodos básicos”, que não é necessariamente voltado para implementação computacional, eu sabia que existia um nicho no mercado para esse tipo de livro, tanto que o livro é adotado em todos os cursos de engenharia do Brasil.

O objetivo aqui é uma análise de estruturas moderna, voltada realmente para implementação computacional. 


» Quais vantagens o livro traz ao unir a teoria com a implementação computacional?

Luiz: Esse é o objetivo principal, não mostrar apenas a teoria no livro, mas também a implementação computacional do método. E como o computador faz isso? A importância é justamente essa: aprender o processo.    

Isso tudo em função de eu ter um código mais didático. E por que ele é mais didático? Como eu consegui isso? Consegui, porque o software que acompanha o livro é desenvolvido no MATLAB, que é um ambiente que praticamente todas as universidades de renome do mundo utilizam como facilitador para cálculos, pois os problemas e soluções são escritos matematicamente, não sendo necessária a linguagem de programação tradicional, o HTML.

A própria PUC tem um contrato com a fabricante do MATLAB, a MathWorks, que permite que todos os alunos, professores e funcionários da universidade o possam instalar em suas máquinas, inclusive em casa.

» Qual diferencial a linguagem MATLAB traz para o livro?

Luiz: Se você não entende o que o programa está fazendo, pode ser perigoso. Uma pessoa pode colocar dados errados, achando que estão certos. É esse o objetivo da pessoa entender como o programa deve ser implementado. 

Eu tenho uma ferramenta que é o Ftool, mas ele é uma caixa preta. É uma caixa que eu não abro, então eu criei um programa para que o usuário pudesse acessar o código. O MATLAB já dá a possibilidade de você fazer um código muito mais enxuto, muito mais limpo e simples de ser entendido. Além disso, ele guarda tudo isso em um ambiente só: toda a parte gráfica, de gerar o aplicativo, gerar todos os menus, botões, tudo que você pode fazer a plataforma.

Essa questão da implementação a objetos consiste em juntar uma área da informática com as disciplinas de engenharia, que geralmente é exclusiva para a engenharia da computação. Então, foi um componente que eu adicionei. E longe de ser um complicador, o contrário, eu o vejo como facilitador para todos os alunos de engenharia.

» Você está há 30 anos trabalhando nessa área, quais foram as principais mudanças através do tempo que você sentiu?

Luiz: O curso de análise matricial de engenharia, nas décadas de 1970 e 80, era um curso feito com cálculos manuais. Assim, usava-se a calculadora, mas o processo era com papel e lápis. Com a evolução da computação ficando cada vez mais acessível, pricipalmente com a possibilidade de fazer a entrada gráfica de dados e a saída gráfica dos resultados, isso foi transformando a análise de estruturas numa ferramenta que só faz sentido se for feita no computador.


Publicado em: 29/03/2019





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