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Entrevista com autor

Lenira Alcure



"Mesmo que o vocabulário de televisão tenha que ser simples, o conteúdo que ela carrega deve ser grande", Lenira Alcure.

Professora do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, Lenira Alcure lança o livro Telejornalismo em 12 lições. O livro explica o dia a dia da produção jornalística da TV de forma didática e simples. As 12 lições contidas no livro, publicado pela Editora PUC-Rio em coedição com o Senac, vêm sendo amadurecidas pela autora em 30 anos de profissão. Lenira foi editora internacional da TV Manchete e comentarista e editora internacional da TVE.

Em entrevista para a seção Autores, do site da Editora PUC-Rio, Lenira relata as dificuldades e facilidades dos alunos em fazer telejornalismo. A professora explica as motivações que teve para trabalhar com televisão e diz os cuidados que se deve ter para fazer jornalismo em TV. A autora defende ainda o telejornalismo brasileiro, mas critica o modo como é feito o texto televisivo hoje.

» Como nasceu o livro?

O livro foi criado durante as aulas de Telejornalismo e nasceu devido à necessidade de sistematizar o conteúdo de vários livros. É importante que os alunos tenham um material com informações autoinstrutivas em que podem aprender com a teoria e, depois em aula, experimentar na prática. Aprender o mundo televisivo é como andar de bicicleta: no início leva uns tombos, mas depois pega o jeito. Antes eu trabalhava com apostilas, então percebi que poderia transformar aquele material em livro.

» Qual a maior dificuldade em fazer telejornalismo?

Escrever e ter a noção da grande quantidade de imagens que é necessário em televisão. Geralmente os alunos até registram boas imagens, mas são poucas. O propósito do livro é fazer o aluno entender a importância das imagens e também desenvolver um texto próprio dentro do padrão do telejornalismo.

» O que os alunos mais gostam de fazer nas aulas de telejornalismo?

Editar. É o que querem logo fazer. Mas editar não é só chegar na ilha de edição e montar de um jeito qualquer. Costumo dizer que editar requer fazer a decupagem (descrição da filmagem), o que dá trabalho, mas tem que fazer.

A escolha das imagens também é fundamental... Quando eles vão para a ilha de edição, eles descobrem que todo esse processo é importante. E o livro tem exatamente essa função: mostrar todo esse processo na teoria para que os alunos possam aplicar na prática.

» Você trabalhou em jornal impresso e em revistas, mas grande parte de sua experiência profissional vem de fato da TV. Por que televisão foi o meio que você mais gostou de trabalhar?

Eu gosto muito do texto de TV. Agora, o que me dá mais prazer em telejornalismo é quando você vai para a ilha de edição e consegue mudar apenas um detalhe, mas que faz toda a diferença, como a escolha de uma imagem que vai ficar apenas dois segundos no ar e qual a relação que ela vai ter com seu texto.

O texto na televisão nasce depois; primeiro o repórter e sua equipe saem e capturam as imagens, depois voltam e o repórter escreve o texto. E você, como editor de texto, vai propor as imagens que vão cobrir seu texto. Quando eu ia para a ilha, fazia questão de acompanhar a edição, acho bom esse momento, é muita adrenalina.

» Qual a sua opinião sobre o telejornalismo hoje?

Olha, o telejornalismo no Brasil é muito bom, é um jornalismo que informa. Mas tem erros. Eu sinto uma pobreza de vocabulário no repórter, por exemplo. Mesmo que o vocabulário de TV tenha que ser simples, o conteúdo que ela carrega deve ser grande. A Rede Globo, por exemplo, colocou na ativa muitos repórteres que estavam aposentados porque eram bons repórteres. Porque eles foram de uma época que havia uma preocupação maior com o texto, era melhor articulado. O telejornalismo brasileiro é bem veloz, as notícias são interessantes, não ficamos para trás em relação aos norte-americanos.

» Quais os cuidados que se deve ter no telejornalismo?

Ah, o que não foi falado ainda é a ideia de isenção. O jornalismo que você deve buscar é o objetivo e deve estar sempre consciente de que as preferencias do repórter podem influenciar. É preciso ter cuidado com a visão unilateral, pois tem que ter multiplicidade de informação. Você não é fazedor de cabeça, tem que mostrar todos os lados e ao mesmo tempo o viés de quem está falando.

Outra questão é desenvolver conteúdo. E para isso não basta só ler muito, mas é também escrever muito. Para o facebook ou twitter bastam poucas palavras, porém o jornalista precisa ter um vocabulário bem maior. Os bons autores de novela conseguem boa audiência porque os diálogos são muito verossímeis, mas para isso ele teve que ler muito, se preparar bastante. Um texto pobre não rende dois capítulos de uma novela e nem uma notícia na TV. Você tem que ter um texto que seja simples e que carregue uma ideia. Sem ideia a gente não faz nada. Saber formular e colocar perguntas também é fundamental. Como na vinheta da TV Futura: o que move o mundo são as perguntas!

Foto: Raul Guilherme

Lançamento do livro Telejornalismo em 12 lições, de Lenira Alcure.-------------------------------------------------------------------------------------------

 


Publicado em: 31/08/2015





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