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Entrevista com autor

Marcelo Timotheo da Costa



Alceu Amoroso Lima foi, sem dúvida, um personagem marcante da vida intelectual no Brasil do século XX. Foi membro da Academia Brasileira de Letras, professor universitário, um dos fundadores da PUC-Rio e também atuou como jornalista, sob o pseudônimo Tristão de Athayde, tornando-se importante interlocutor dos movimentos de resistência à ditadura militar no Brasil.

Esses são apenas alguns dos pontos altos do itinerário de vida traçado por este importante representante da inteligência católica brasileira, e que serão retratados no livro Um itinerário no século: mudança, disciplina e ação em Alceu Amoroso Lima (no prelo). A obra, cujo lançamento está previsto para agosto pela parceria Editora PUC-Rio/Edições Loyola, destaca a mudança de postura – de reacionário a liberal – assumida por Alceu dentro do catolicismo e demonstra como essa transformação ocorreu.

O autor, Marcelo Timotheo da Costa, comenta, nesta entrevista exclusiva à Editora PUC-Rio, as questões apresentadas no livro, produto de sua tese de doutorado apresentada ao Departamento de História pela PUC-Rio. Além disso, fala sobre diversos aspectos e curiosidades da vida de Alceu, desde o estreito relacionamento com a filha até a peculiar jovialidade cultivada mesmo na velhice. Analisa também as possíveis influências da obra de Alceu hoje, convidando-nos a refletir sobre que posturas seriam tomadas por ele na atualidade.

» Editora PUC-Rio: Alceu Amoroso Lima foi o objeto da sua tese de doutorado e, por consequência, do seu livro. Como surgiu a ideia de estudar a vida e a obra de Alceu?

Marcelo Timotheo da Costa: Não foi uma escolha simples, imediata. Eu fiz duas graduações: uma em História e outra em Economia, e estava pensando em fazer minha dissertação de mestrado sobre a história da inflação no Brasil. À medida que esse projeto não decolava, em conversa com o meu orientador, o professor Ricardo Benzaquen de Araújo, mostrei meu interesse em estudar História e sensibilidade religiosa. Então ele sugeriu que eu trabalhasse com os relatos das viagens do Alceu Amoroso Lima. O doutorado surgiu como uma continuação desse estudo; queria acompanhar as transformações do Alceu ao longo da vida. Basicamente, há duas posturas fundamentais no universo desse autor: a primeira é a do reacionário, que, em nome da fé católica e do anti-esquerdismo, perseguiu comunistas nos anos 1930 e desmontou o projeto inovador e laico da Universidade no Distrito Federal. E, posteriormente, durante a ditadura militar brasileira, iniciada em 1964, a imagem que ficou do Alceu é a do homem que, devido a mesma fé católica, escrevendo toda semana para o JB, denunciou o arbítrio, pediu à volta ao Estado de Direito; ele era alguém que divergia e criticava publicamente o regime. Os biógrafos do Alceu apontavam essas duas faces e diziam que ele havia passado por uma transformação, mas não respondiam como ela havia ocorrido.

» Editora PUC-Rio: Mas, esse processo de mudança sofrido por Alceu (de conservador a liberal) seria meramente pessoal ou haveria alguma relação com as mudanças que ocorriam na esfera de atuação da Igreja Católica no Brasil?

Marcelo Timotheo da Costa: Em termos pessoais, é interessante focar o Alceu como alguém que caminhou de um registro de direita para um mais liberal e progressista, ao contrário de outras pessoas que começaram em uma militância de esquerda e terminaram bem reacionárias. Nesse sentido, Alceu nadou contra a corrente. Mas é evidente que ele não mudou sozinho. Tento mostrar no livro que é impossível entender o Alceu sem entender a história da Igreja Católica no Brasil e no mundo. Ele caminhou junto com a Igreja no seu processo de transformação: parte das suas mudanças foi influenciada pelas transformações da Igreja, mas, ao mesmo tempo, postulou algumas teses que a Igreja só foi abraçar depois. É uma relação não-linear: em alguns momentos ele estava se antecipando à Igreja, e em outros não. É uma relação complexa.

» Editora PUC-Rio: De que forma você analisa a possibilidade de estudar História através de biografias?

Marcelo Timotheo da Costa: É perfeitamente possível tentar entender uma época, ou parte dela, através de uma biografia. Quando se faz uma memória de alguém, o trabalho não diz respeito apenas a esse alguém individualmente. Estudamos também, por exemplo, a cidade em que viveu o biografado, o lugar onde trabalhou, as crenças que comungou. Podemos, portanto, pela biografia, iluminar muitos campos. Assim, acabamos não olhando apenas o personagem, mas também entendendo a teia de relações nas quais ele transitou e que ele igualmente ajudou a tecer. Mas, como já alertou um famoso intelectual de nosso tempo, há uma tentação subjacente quando se estuda a vida de uma pessoa – acentuada no caso dessa pessoa estar morta. A tentação é entender toda a trajetória do biografado a partir do final da sua vida. No meu caso, o perigo seria projetar no Alceu de 10 anos, de 14 anos, de 20 anos, o que ele acabou se tornando muito depois, porque é uma história que já é conhecida. Isto é: ver na infância e na juventude do Alceu a prefiguração do que o Alceu maduro veio a ser. O historiador tem que estar atento para não olhar a vida do personagem a partir do final, senão acaba construindo um retrato muito idealizado.

» Editora PUC-Rio: Alceu se tornou membro da Academia Brasileira de Letras. Em que contexto se deu esse convite?

Marcelo Timotheo da Costa: Alceu se converte ao catolicismo em 1928, aos 35 anos. Então ele já era adulto, um jovem intelectual ainda em processo de formação, mas que já acumulara muitas leituras e experiências, na Europa inclusive. No Brasil, ele já havia escrito alguns livros e em jornais. Na época de sua conversão, o então arcebispo do Rio de Janeiro, D. Sebastião Leme, vê em sua figura alguém com grande capacidade de liderar os leigos. Ciente da conversão do Alceu, D. Leme o chama quase que imediatamente, faz dele o líder da inteligência católica, o leigo que iria conduzir aquilo que os historiadores chamam de “projeto de neocristandade”, uma cruzada para recristianizar o Brasil. O diagnóstico da Igreja, na época, era de que o Brasil não constituía uma nação católica, ou tinha apenas batizados sem maior prática religiosa. Portanto, era preciso catolicizar o Brasil. Estava embutida no projeto de neocristandade a ideia de replicar a sociedade: se havia escolas e hospitais na sociedade, teria que existir escolas e hospitais católicos; se havia imprensa, deveria existir uma imprensa católica; se havia intelectuais, deveriam ser formados intelectuais católicos. De forma coerente com tal plano, Alceu vai liderar a inteligência católica leiga, defendendo, de forma ardente, a Igreja e as suas teses. Nesse período, ele estava muito ligado à hierarquia católica; depois ele se tornaria mais livre. Então, ser membro da Academia Brasileira de Letras faz parte da ideia – bem própria do projeto de neocristandade – de dar projeção a um intelectual católico na sociedade. Assim, Alceu se tornou candidato à vaga da ABL, em 1935, a pedido de D. Leme, que fora sagrado cardeal do Rio poucos anos antes. Alceu resistiu à proposta inicialmente, mas cedeu, tomou-a como uma espécie de “missão”. Era importante para o projeto de neocristandade que existisse um acadêmico que fosse reconhecidamente católico, um intelectual e professor católico. Aliás, Alceu ajudou na constituição de um estabelecimento de ensino superior católico: ele foi um dos fundadores da PUC-Rio.

» Editora PUC-Rio: Qual foi a importância da atuação do Alceu como professor universitário e fundador da PUC-Rio?

Marcelo Timotheo da Costa: O Alceu era filho de um industrial e poderia não ter sido professor. Durante algum tempo foi gerente da Fiação Cometa, que era a tecelagem do pai. Depois ele largaria a indústria e, praticamente, viveria da renda de professor universitário. Lecionou na Universidade do Brasil, hoje UFRJ, e na PUC-Rio, fazendo parte do grupo que a fundou ainda com o nome de Instituto Católico de Estudos Superiores. A ideia desde o início era ter uma universidade de qualidade no Brasil, e que fosse católica. Alceu esteve na PUC da fundação até se aposentar, com 70 anos, em 1963. Eu digo no livro que ele teve duas tribunas: a dos jornais e a da academia, tribunas nas quais ele falava pela Igreja. Era sempre um intelectual católico que se pronunciava, uma presença católica nos jornais e na universidade. De outra forma: ocupando suas tribunas, Alceu funcionou como um testemunho vivo da doutrina da Igreja lida em chave liberal. Mas é importante notar que, nos anos 1960, ele se tornou o interlocutor privilegiado do movimento estudantil, porque seus líderes viam nele a face do catolicismo renovado, um cristão liberal e, portanto, alguém que podia contestar o governo militar, “bater de frente”. E isto ele fez até morrer, em 1983, quando o último general presidente, João Figueiredo, ainda estava no poder. Por duas décadas, Alceu pediu o fim da censura, a volta das eleições livres, anistia para opositores e o retorno dos exilados pelo regime. E perguntou onde estavam os desaparecidos, perguntou “onde está Rubens Paiva?”. Interessante ainda notar que, por sua idade e sobretudo por ser considerado um homem reto, ele não foi preso ou censurado pelo governo. As autoridades de então sabiam que prender o Alceu seria “dar um tiro no pé”, pegaria muito mal.

» Editora PUC-Rio: Os biógrafos do Alceu costumam se referir a uma certa jovialidade que estaria presente entre as características da velhice desse autor. Como você analisa essa peculiaridade?

Marcelo Timotheo da Costa: Alceu dizia que a maioria das pessoas era radical na juventude e moderado/conservador na velhice. Ele falava: “eu não, eu fui muito moderado na juventude e estou morrendo incendiário”. O exagero da imagem não prejudica o ponto central: Alceu queria enfatizar seu papel de crítico, crítico radical da ditadura. Mas o interessante é que, mesmo sendo esse opositor radical, Alceu não perdia em jovialidade. Quando ele falava, era muito impactante. Via-se nele alguém que, por causa de sua fé, denunciava, “botava o dedo na ferida” do Brasil do “milagre econômico” e da ditadura. Mas ele, sim, tinha um ar jovial. Jovialidade, creio, ligada ao franciscanismo (ele era um grande fã de S. Francisco de Assis). Ele cultivou essa maneira de ser radical, criticando a ditadura, mas, ao mesmo tempo, quem o via falar sentia que ele tinha esperança. E valia-se muitas vezes de um humor fino. E as ditaduras não suportam a ironia, levam-se muito a sério. Ainda sobre a jovialidade de um velho como Alceu: é interessante que, em 1968, quando as ruas do Brasil estavam tomadas de jovens que diziam “não confiem em ninguém com mais de 30 anos”, o interlocutor privilegiado do movimento estudantil era o Alceu. E, em dezembro de 1968, ele ia completar 75 anos! Até hoje Alceu é admirado por líderes do movimento (que, no presente, já possuem, eles próprios, seus 60 anos). Como lembrou o Zuenir Ventura, na década de 1960 era estranho, paradoxal mesmo: a juventude que dizia não confiar em ninguém com mais de 30 anos admirava alguém com muito mais do que isso, com mais do dobro disso. Eu acredito que essa postura estava ligada ao franciscanismo, a uma espécie de “ira jovial” discernível no santo de Assis e que Alceu buscou incorporar.

» Editora PUC-Rio: Alceu possuía um diálogo muito intenso com a filha que era freira, se correspondendo diariamente com ela durante mais de 30 anos. O que representava, para ele, esse tipo de relação?

Marcelo Timotheo da Costa: Ele escrevia uma carta para a filha todo dia de manhã. Isto fazia parte de uma sucessão de atos que ele realizava logo ao acordar. Primeiro, ia à missa de manhã bem cedo. Depois, voltava para casa, rezava parte do Breviário (livro que contém textos sacros e orações da Igreja) e, em seguida, escrevia para a filha. Esse começar do seu dia era extremamente metódico, e essa carta tinha por volta de quatro páginas nas quais ele relatava o seu dia anterior. Foram mais de trinta anos de correspondência diária! Essas cartas eram, para ele, uma espécie de confissão, porque ele, escrevendo, reelaborava o dia anterior e projetava o dia que estava começando; ele também se aconselhava com a filha. Ela, Madre Maria Teresa, monja beneditina enclausurada, por ser religiosa e possuir uma série de afazeres na Abadia, respondia, uma vez por semana, as cartas da semana inteira. Nessa escrita vejo um processo de auto disciplinarização. Alceu calculava suas ações a partir da carta e se construía, de certa maneira, pela escrita. A filha era uma interlocutora fundamental. Disseram-me que o Carlos Drummond de Andrade declarou que só tinha inveja de uma coisa: do Alceu Amoroso Lima ter tido, com a filha, esse tipo de correspondência. O Drummond tinha uma filha em Buenos Aires, também afastada dele e nunca conseguiu manter correspondência diária por tão longo período. As pessoas em Petrópolis sabiam da comunicação entre Alceu e a filha, desse ritual diário. Elas viam Alceu ir pessoalmente postar as cartas no correio. No final da vida (morreu de câncer, poucos meses antes de completar 90 anos), tinha muita dificuldade de subir uma escada que havia no correio, tendo até sugerido a instalação de uma rampa. Pelo que me contaram em Petrópolis, essa rampa, posteriormente à morte de Alceu, foi construída, e deram a ela o nome de Alceu Amoroso Lima. Não pude conferir se esta rampa existe ou não. Contudo, o fato de essa versão circular em Petrópolis já revela muito ao historiador. Isso serve para ilustrar como esse exercício do Alceu, tão privado, estava caindo em domínio público. E daí eu achar que deveria ser analisado. Dez anos dessas cartas foram editados no livro Cartas do pai, e hoje qualquer um pode ter acesso a esse material.

» Editora PUC-Rio: Leonardo Boff foi um dos interlocutores de Alceu. Você vê alguma influência do pensamento do Alceu Amoroso Lima na formulação da Teologia da Libertação no Brasil?

Marcelo Timotheo da Costa: Vejo. Alceu deu muita visibilidade às teses liberais no catolicismo, ao mesmo tempo em que aprendia com elas. Ele nunca afirmou ser adepto da Teologia da Libertação, mas dizia admirá-la muito. Leonardo Boff me disse que, Alceu, próximo à sua morte, quando estava indo para a sua última internação, lhe pediu que enviasse livros da Teologia da Libertação para ele ler no hospital. Alceu morreu admirando a Teologia da Libertação e atento a ela. Podemos, então, olhar esse fato por dois lados: ao mesmo tempo em que Alceu foi importante para constituir a Teologia da Libertação, abrindo caminhos antes dela, fortalecendo uma reflexão católica crítica, progressista, ele também foi influenciado pela Teologia da Libertação, levando idéias de seus formuladores como o Boff para seus artigos e livros.

» Editora PUC-Rio: E hoje, você percebe as influências do Alceu Amoroso Lima em alguns setores da sociedade brasileira?

Marcelo Timotheo da Costa: Há hoje, na Igreja, uma série de pessoas influenciadas pelo Alceu. Por razões óbvias, essas pessoas, e eu falo daquelas que conheceram Alceu pessoalmente, estão mais velhas, outras já são falecidas. Entre os presentes na cena nacional nos dias de hoje, destaco o Cardeal Arcebispo (Emérito) de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns. Ele foi muito influenciado por Alceu. D. Paulo, a quem entrevistei durante a pesquisa, me contou que essa influência vem desde a sua formação de seminarista. Eu acho que a corajosa atuação de D. Paulo Evaristo Arns durante a ditadura militar foi muito incentivada pela figura do Alceu. Alceu funcionou como um modelo para ele e outros tantos, religiosos ou não: D. Aluísio Lorscheider, D. Hélder Câmara, o citado Leonardo Boff, Frei Betto, Otto Lara Rezende, Otto Maria Carpeaux, Nelson Werneck Sodré, Oscar Niemeyer, Ênio Silveira. Mas, até por ter se transformado em sua leitura da fé católica, Alceu também granjeou inimigos. O mais célebre foi o Gustavo Corção, de quem fora próximo nos anos 1940 e 1950. Nelson Rodrigues foi outro opositor cotidiano a partir dos anos 1960. É claro que, como historiador, não devo emitir juízo sobre esse suposto papel modelar de Alceu para terceiros. Cabe a mim analisar a construção desta exemplaridade, como ela foi forjada através do tempo e quais seus ecos na Igreja e na sociedade nacional. Mas você me perguntou sobre o que seria o legado do Alceu, utilizou outras palavras, porém acredito que o sentido era este. Algo como “se o Alceu fosse vivo, em quais assuntos de hoje estaria opinando?” É claro que já não estamos mais no campo da História, o historiador não pode responder a perguntas assim. Todavia, pegando carona – uma carona bem livre, seja frisado –, acho que Alceu, tão envolvido nas questões mais candentes de seu tempo, estaria hoje, por exemplo, escrevendo artigos contra a Guerra do Iraque. Digo isto porque ele escreveu vários artigos contra a Guerra do Vietnã, classificando-a de “genocídio”. Além disso, acho que ele estaria apoiando uma série de iniciativas de teor progressista, como, por exemplo, os projetos de renda mínima, porque, nos anos 1960, ele já defendia iniciativas importantes de inclusão social, como a reforma agrária. Nos anos 1960, ele defendia também o voto dos analfabetos, sempre em nome da inclusão social. É claro que não podemos afirmar quais seriam efetivamente suas posições hoje, só fazer conjecturas. Quase que como uma provocação. Acho que o papel do historiador é também provocar.

» Editora PUC-Rio: Então, quais são os seus próximos projetos?

Marcelo Timotheo da Costa: Eu estou começando, no CPDOC da Fundação Getúlio Vargas, a estudar um grupo de intelectuais católicos. Vou abrir mais o meu foco. São eles: Jackson de Figueiredo, Alceu Amoroso Lima, Gustavo Corção e Leonardo Boff. Quero, com esse projeto, tentar fazer uma tipologia, uma topografia da intelectualidade católica nacional, porque acho ser este um assunto muito pouco estudado. O pensamento católico marcou bastante a sociedade brasileira. Há muito a pesquisar. Veja-se o caso da formação de movimentos leigos especializados – os mais importantes foram a Juventude Operária Católica, a Juventude da Universidade Católica e a Juventude Estudantil Católica. Ora, as Juventudes Católicas foram importantíssimas, estiveram presentes no debate nacional nos anos 1950 e 1960 e formaram, entre outros, o Herbert de Souza, o Betinho, e também lideranças políticas que continuam atuando por aí. Há outras conexões possíveis. Na minha opinião, há uma clara relação entre Cinema Novo e um certo pensamento católico que exalta a humildade e valores mais ligados ao popular. Outro exemplo: uma série de escritores e poetas brasileiros importantes, alguns de talento extraordinário, eram católicos. Falo de Manuel Bandeira, Jorge de Lima, Murilo Mendes, Lúcio Cardoso, Cornélio Penna. São todos contemporâneos, partilharam do mesmo universo católico, mas continuam estudados isoladamente. Será que podem ser vistos de forma agregadora? Qual papel a fé católica desempenhou para cada um? Quais conexões podemos estabelecer entre eles? Enfim, quero estudar quais são as implicações do catolicismo na cultura, na sociedade e na política brasileira desse agitado e dramático século XX. Chamei meu projeto atual de “Caminhos Cruzados: construindo uma topografia da intelectualidade católica no Brasil”. A ideia é essa: preparar o terreno para, com base em universo onde tenho algum trânsito, construir, quem sabe, algo novo. É isso que está me fascinando agora.

Foto: Virginia Primo.

 


Publicado em: 01/09/2015





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