consulta avançada
Brasão da PUC-Rio

Entrevista com autor

Marco Aurélio Pacheco



Investir é um risco. Mas que pode ser minimizado graças às soluções oferecidas hoje pela área de Business Intelligence. Cada vez mais presente nas decisões de mercado, essa área tem como foco ajudar empresas, de diferentes setores, a obter o máximo de benefícios com os negócios. A Editora PUC-Rio, em coedição com a Editora Interciência, inicia a série Business Intelligence com a publicação de Sistemas inteligentes de apoio à decisão: análise econômica de projetos de desenvolvimento de campos de petróleo sob incerteza. O título é organizado pelos professores do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio, Marley Vellasco e Marco Aurélio Pacheco, este último nosso entrevistado do mês na seção Autores.

Este primeiro título é resultado de quatro anos de pesquisas, em uma parceria do Laboratório de Inteligência Computacional Aplicada (ICA), do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio, com a Petrobras. Outros dois títulos já estão previstos para a série Business Intelligence. Nesta entrevista, além de contar como funciona a parceria entre a PUC-Rio e a Petrobras na área de Engenharia, Marco Aurélio destaca a importância estratégica para o Brasil, nesse momento, de pesquisas voltadas para a área de petróleo, nos apresenta o campo de Business Intelligence e adianta como serão as próximas publicações da série.

» Editora PUC-Rio: O que é exatamente a área de Business Intelligence?

Marco Aurélio Pacheco: Business Intelligence (BI), denominação mundialmente conhecida, numa definição formal, é um conjunto de metodologias implementadas por meio de softwares que vão, em última análise, coletar informações e organizá-las em conhecimentos úteis para ajudar na tomada de decisão, parte mais delicada do negócio: comprar ou não? Vender ou não? A que preço? Dirigir-se a que mercado? Quando investir? Informalmente, pode-se traduzir business intelligence como o uso de sistemas inteligentes em negócios. É uma forma de agregar a inteligência humana à inteligência dos sistemas computacionais, para que os negócios se tornem mais rentáveis.

» Editora PUC-Rio: Então, como os sistemas inteligentes ajudam as empresas na busca por soluções?

Marco Aurélio Pacheco: Muitos dos sistemas vêm da área de inteligência computacional, que envolve modelos matemáticos, algoritmos, como redes neurais, lógica fuzzy, algoritmos genéticos. Além disso, envolve estatística, opções reais, métodos de estocásticos e assim por diante. Tudo isso se torna um arsenal de técnicas que ajudam as empresas a resolver alguns de seus problemas muito específicos relacionados à extração de conhecimentos e informações úteis de bases de dados. Chamamos de mineração de dados esse processo de extração. É como botar a terra na bateia e, assim, tirar apenas o que é precioso. Colhemos os dados operacionais do dia a dia de uma empresa e colocamos “na bateia do computador” para que de lá se extraiam informações úteis e que não são óbvias de se encontrar, a não ser peneirando dessa forma. Mas BI envolve muitos outros procedimentos. Um deles é a otimização. Otimização é palavra-chave no mundo globalizado. As empresas perderam sua posição relativamente tranquila e passaram a sofrer concorrência, não só interna, como também externa, das multinacionais. Um exemplo disso no Brasil é a diversidade de produtos chineses no mercado. As empresas brasileiras sentem isso. Porém, isso aconteceu porque, antes da globalização, elas não se preocupavam com a otimização de seus processos e negócios, o que normalmente envolve muitos aspectos, como oferecer qualidade, preços menores, reduzir custos, isto é, segurar o cliente. Então, otimização é uma palavra-chave para que as empresas continuem competitivas.

» Editora PUC-Rio: Qual a importância de se considerar a análise econômica sob incerteza?

Marco Aurélio Pacheco: Uma das coisas que mais atormenta o investidor é o risco do investimento. Existem várias maneiras de se fazer render o capital através de investimentos que vêm acompanhados de incertezas, de riscos. Investir na Bolsa de Valores traz a incerteza de que você terá o capital de volta. Fala-se em análise de riscos. Existem também esses riscos na área de petróleo. Muitos negócios hoje em dia são através de opções. O governo leiloa a opção de explorar uma determinada área do território brasileiro. O investidor paga alguns milhões de dólares para a opção de, em cinco anos, tirar óleo dali, se beneficiando. Mas ainda pairam muitas incertezas técnicas como: será que o óleo é de boa qualidade? Será que é suficiente? O custo da produção será viável pela profundidade? E incertezas de mercado, como: e se eu colocar plataformas, empregados etc. e se o preço do petróleo cair? O investidor precisa ter a “certeza de mercado”. Então, a análise econômica deve dizer o momento certo para ele investir através de gráficos que consideram os riscos.

» Editora PUC-Rio: Sistemas inteligentes de apoio à decisão é o primeiro título da série Business Intelligence. O que destacar desse estudo?

Marco Aurélio Pacheco: O livro é fruto de projetos idealizados e patrocinados pela Petrobras que geraram muitas teses de mestrado e doutorado no Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio. Os 12 autores foram alunos do mestrado e do doutorado e, alguns, parceiros da Petrobras. Queríamos reunir esses estudos em uma única obra. O livro é pioneiro nessa temática. Não se trata somente de sistemas inteligentes aplicados na análise econômica de projetos de desenvolvimento de campos de petróleo. São sistemas que atendem a análises econômicas de um modo geral. Foi por conta disso que conseguimos despertar o interesse das Editoras PUC-Rio e Interciência.

» Editora PUC-Rio: Como funciona a parceria com a Petrobras?

Marco Aurélio Pacheco:A parceria é de longa data. A Petrobras é a maior parceira da PUC-Rio em projetos de pesquisas. São projetos tecnológicos, de aplicação de ciência em problemas do dia a dia que ainda se encontram sem solução. São projetos em diversas áreas, engenharias civil, mecânica, informática e até mesmo de psicologia. A demanda é da Petrobras. Nós fazemos os orçamentos que incluem a equipe de estudantes, que vão gerar as teses e dissertações, e os equipamentos para o laboratório, que mantemos sempre ativos.

» Editora PUC-Rio: Qual a importância das pesquisas em Nanotecnologia relacionadas ao petróleo para o país?

Marco Aurélio Pacheco: A Nanotecnologia é um tema estratégico no Brasil. O governo tem dado bastante atenção a ele, tanto que existem secretarias que cuidam somente do assunto. As indústrias de petróleo internacionais já vêm trabalhando firme nessa questão, pois a produção de petróleo é considerada ineficiente. Mais de 40% do reservatório não é extraído. Além disso, busca-se também reduzir radicalmente os custos de processamento do combustível para aumentar a rentabilidade. Por isso, decidimos juntar em um único evento científico (CITARE-2007) os dois temas: petróleo, a preocupação do momento; e nanotecnologia, a preocupação do futuro.

» Editora PUC-Rio: Esse livro é apenas o primeiro volume da série. O que podemos esperar dos próximos?

Marco Aurélio Pacheco: BI tem sido tema de interesse de empresas e dos estudantes. Por conta disso, criamos na PUC-Rio o curso de MBA chamado BI-Master. São 12 disciplinas nas quais dezenas de técnicas são empregadas na área de BI. É oportuno, portanto, caracterizá-lo como o primeiro livro de uma série, já que ele introduz essas técnicas e apresenta vários casos reais de aplicação. Os outros livros da série serão a continuação deste e introduzirão novas técnicas e projetos na área de BI. Acreditamos que no futuro próximo essa área represente um domínio adicional dentro da engenharia, que seria uma especialização dentro da graduação.

Foto: Carolina Jardim


Publicado em: 01/09/2015





Editora PUC-Rio
Endereço: Rua Marquês de S. Vicente, n° 225 - Praça Alceu Amoroso Lima, casa V (Casa Agência/Editora)
Gávea - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 22.453-900
Telefones:
55 (21) 3527-1838/1760

Endereço eletrônico:
edpucrio@puc-rio.br
Site desenvolvido pelo RDC